A responsabilidade social da empresa e o exemplo da Natura

É com coragem e bons exemplos que se quebram paradigmas.

Roberto Marques, CEO da Natura, em entrevista à VEJA reafirmou a postura da empresa e do grupo Natura&Co (formado pelas empresas Natura, Avon, The Body Shop e Aesop) no que diz respeito a pautas ambientais de preservação da Amazônia e medidas de desenvolvimento socialmente responsável.

Presidente da empresa que em 2019 registrou lucro líquido de R$190,9 milhões de reais, Roberto anunciou e fundamentou o investimento de 800 milhões de dólares em sustentabilidade que será realizado. Pertencente à carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 (bolsa de valores brasileira) desde 2005, quando o índice foi criado, a Natura é a única empresa do segmento de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos a fazer parte da carteira. O ISE é uma ferramenta para análise comparativa das empresas listadas na B3 sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, responsabilidade social e governança corporativa.

Essas informações desmontam o tabu erroneamente criado em torno da filantropia e empreendedorismo social: é sim possível conciliar o objetivo precípuo de toda empresa – o lucro – com práticas socialmente responsáveis. Aderir ao modelo de gestão empresarial pautas ligadas ao desenvolvimento social e sustentabilidade não só representam um ativo em marketing para as empresas, mas atestam o cumprimento do compromisso que estas têm com a sociedade.

A empresa, enquanto instituição econômica que visa o desenvolvimento de atividades de produção e distribuição de bens e serviços, detém uma importância social que extrapola o âmbito econômico. Por essa razão, não pode desvirtuar-se da responsabilidade social que a vincula. Garantir métodos sustentáveis de produção; fomentar e investir em iniciativas voltadas ao desenvolvimento social; adotar uma administração transparente e responsável são medidas que simbolizam o dever republicano que impele as empresas a se esforçarem em prol do salutar futuro da Nação e consecução dos objetivos da República. A sociedade civil, ao legar à iniciativa privada o protagonismo no mercado, confiou que seria recompensada para além da circulação dos ditos bens e serviços, que são do interesse imediato da empresa. A sociedade espera uma postura integrada e coerente aos problemas que enfrentamos, de modo que o empresário, ao usufruir de sua liberdade de iniciativa econômica, contribua para a superação das mazelas (de renda, raça e gênero) que nos assolam.

O exemplo liderado pela Natura é elucidativo. Não se espera menos que isso. Para os que ainda duvidavam, já se comprovou que pensar socialmente, ademais de eticamente obrigatório, é um bom negócio. O ISE, por exemplo, performou melhor que o IBOVESPA nos últimos anos. Agora é o momento que a criatividade e a inovação, inertes e unicamente possíveis no capitalismo, ancoradas nos princípios da livre iniciativa, função social, valorização social do trabalho, dignidade humana, e livre concorrência, fazem seu papel. Assim, o jogo é otimizado, o capitalismo melhorado e a sociedade beneficiada. Tal como deve ser.

* Texto publicado originalmente no blog do professor Angel, no site da AsM Editora.

Fonte: https://angelosmarino.jusbrasil.com.br/artigos/867013279/a-responsabilidade-social-da-empresa-e-o-exemplo-da-natura

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